Roupa de papel é texto
Não escrevo, registro. Ninguém lê, é meu diário.


Segunda-feira, Março 17, 2008

Dolorosa é a perda do objeto. Menos energia investida, menos sofrimento. Energia desligada é um momento apreensivo e agora benvindo. Almejo somente o que está lá do outro lado, onde em breve estarei. Um enorme painel em branco, energias desligadas, tudo em latência. PONTO não, reticências não, parênteses aberto (

posted by miTi | 5:39 PM
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Sábado, Março 15, 2008

Festival de Cinema do Rio 2007 - já que o filme não é bom a gente incena um curta...

Acaba o filme argentino, ruim. Saio da sala, muita gente saindo de outras também. Acompanho com os olhos a saída de uma moça que fica parada na porta do cinema olhando para a chuva e talvez pensando como fazer para chegar até seu carro. Eu fui andando apressada para pegar as escadas da estação de metrô. Na plataforma eu a vejo vindo. Observo seu andar descontraído, em minha direção, ela me passa e pára, do meu lado. Que vontade de dizer "que bom que vamos juntas no mesmo vagão". O delírio.

Ela não notou que eu a observei este tempo todo. Sentou em um banco longe. E logo se levantou. Já vai descer. Eu nunca mais vou vê-la, quero ir lá dizer alguma coisa, ao menos para não acabar sem graça tudo isso. Me levanto, e vou até ela. Ela está de costas, de frente para porta que está prestes a abrir. Pego seu braço "me dá seu telefone". Ela morre de susto, afinal poderia ser um assalto. Tentei explicar que queria o número do telefone e não o aparelho. Ela pára, me olha, parecia observar como eu estava vestida e franze a testa. Como quem se questiona - quem é esta pessoa e porque ela me aborda deste jeito? - então ela me pergunta tensa "Pra quê?!?". Da minha resposta dependia o desfecho que poderia ser desastroso, tomar um tapa, escutar um palavrão, ver uma cara de nojo, poderia ser até pior. Ponho a expressão mais pura que encontro dentro de mim e deixo acontecer "te achei tão bonita". Ela sorri aos poucos, e longo. Respira fundo como se estivesse aliviada. "Oxe, mas é que eu num tô ´acusxtumada´ a dar meu télefone assim pra ninguém". Com a mão no meu ombro (ainda sorrindo) me pergunta "tudo bem?" Que delicadeza, penso. Ponho a mão no seu ombro e digo que sim, que estava tudo bem. Ela sai, acessou um tchauzinho (ainda sorrindo). Gente, como não ficar idiota por causa daquela menina? Que sorria do jeito mais fofo do mundo. A porta fechou. O mundo voltou ao normal, as pessoas estavam olhando torto e eu corri pro extremo oposto do trem para me sentar sozinha, com leve vergonha. Por um momento eu achei que ela ia dizer que está acostumada a dar o telefone assim para mulheres. Foi o fora mais fofo do mundo. Fiquei flutuando. Ela era baiana, que impressionante, ainda bem que não era carioca, talvez não seria tão delicado. As cariocas são bravas, não tem papas na língua, mas que bom que foi no Rio, a cidade me deixa em estado fóra de normalidade. Ela disse - "...assim desse jeito, pra ninguém." - assim como? Assim seria - à noite no Rio de Janeiro, mais de 23h, ser abordada por uma pessoa desconhecida, do mesmo sexo, de sotaque paulista e roupa mineira (eu vestia calça de veludo e casaco de botões) que agarra seu braço e pede seu telefone com afobação no momento de saída do metrô? Qual é o grau de estranheza disso?

posted by miTi | 10:42 AM
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Aceito os NÃOS como resposta. Muito mais digno desejar ouvir NÃOS a ter que se enrolada por gente que não aprendeu a dizer esta palavrinha. As pessoas se negam a dizer NÃO, preferem se negar a lidar com uma partícula afirmadora de negação em suas vidas. Eu também não digo NÃO, principalmente quando as crianças podem me remendar em entonação irritante e padronizada: "porque Não não é respooooosta...la la laaaa". Pois, é SIM! Por que não seria? Por que motivo os NÃOS são considerados demonstração de rigidez? Por que ser leve é só dizer sim? Ser leve é fazer tudo que se quer sem pensar, ir se enfiando em qualquer coisa, muito à despeito de ser livre, confundindo liberdade com libertinagem, se fazendo mal em nome da emoção, evitando a todo custo a tal temida razão que nos obriga a ser sinceros conosco mesmo? Dizer sim a tudo que existe, sem critérios, pelo pretexto de saber viver a vida com intensidade e experimentar tudo que aparece dizendo-se aberto às novidades é uma atitude muito questionável. Auto-destruição é dizer não a si mesmo.

posted by miTi | 9:49 AM
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Quinta-feira, Março 13, 2008

O lápis me conduz

Nunca me ocorreu, durante a faculdade, ficar muito tempo angustiada defronte um papel em branco com embaraço criativo - os lápis sempre levaram minhas mãos quase que inconsciente para o papel, para rabiscá-lo mesmo que o resultado não fosse bom, talvez justamente porque nunca me preocupei com o resultado na hora da criação, e sim com a experimentação em si de preencher as folhas com esboços de idéias e com a maravilhosa sensação de escoar tensão através deste meio de expressão. Desenhar é comunicar nossas intimidades psíquicas em processos de semiose da semiose, da linguagem da linguagem, da metáfora da metáfora, enfim, dos seus significados, com primor estético ou não, mas sobretudo com veracidade. Ter papéis em branco é ter poder, é estar com as mãos cheias de mil possibilidades, ´n´ excitantes maneiras de rasbicar e compor, sem precisar de borracha (o que está feito está feito). Um delírio barroco meu seria estar diante de um gigantesco painel em branco, sem lápis nas mãos, ter que escrever e desenhar nele com as minhas digitais, usando tinta rosa de artérias vívidas do meu órgão torácico mais pulsante. E não é só isso, quero um painel infinito, para ter enquanto eu estiver viva, espaço para registrar o que está vindo e o que está porvir.

posted by miTi | 5:47 PM
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Domingo, Março 02, 2008

"melhor viver que ser feliz" - O poetinha.

posted by miTi | 1:43 AM
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Gonna get better

posted by miTi | 1:34 AM
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Sábado, Março 01, 2008

é que o melhor lugar do mundo não se situa geograficamente em nenhum lugar físico e sim num espaço ilimitado de possibilidades entre si mesmo e o outro o qual não possui explicações lógicas para isso pois já que é apenas sentido e experimentado numa ocasião única e pessoal, portanto, não tem nome nem classificação.

posted by miTi | 12:34 AM
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