Sábado, Abril 26, 2008
vamos cheirar toda poeira do mundo até perceber que o sujinho é a gente. e pior, que lá dentro o aspirador não alcança.
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12:42 AM
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Sábado, Abril 19, 2008
pudera eu me transformar numa biblioteca.
livros. temos conversado sem palavras. uma companhia muda, cheia do que dizer. um diálogo rico só por pensamento. está mais para um piscar do que para um discurso. está no entender por proximidade. por uma expressão familiar. por um gesto reconhecido. é a compania de amareladas páginas secas solidariamente capazes de me acalentar com sua alma vocábula em silêncio. na verdade, em respeito a minha solidão por convicção.
DEZ DEZENAS DE LIVROS GANHADOS-NÃO-LIDOS fazem minha festa particular desta noite. não adiantaria estar onde meu pensamento está, este lugar não existe, é um delírio não-benvindo do vinho tinho seco e dos sussurros em dó maior destes contos nunca ouvidos, destes romances mal vividos, destas teorias não comprovadas, de experiências científicas muito bem elaboradas/inventadas. circunlóquios cansativos de gente que nunca experimentam nada fóra do delírio eu dispenso. não suporto a vida assim. prefiro as coisas nuas e cruas. a dureza de viver jogada na minha cara em cem porcento para me testar. desde que os livros me levem aonde adiante estar, aonde eu possar tocar, aonde tenha espaço para criar colossais ou pequenininhas. não me importo com tamanho. me importam os demais aspectos.
pois pudera então me transformar numa biblioteca gigante com livros que falam de coisas infinitas sem pretensões de serem entendidas mas que destilem calor de suas entranhas para pés-de-ouvidos muito atentos (como os meus). pudera eu.
(a prateleira aqui)
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4:35 AM
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Quarta-feira, Abril 16, 2008
Nestes tempos que passei em casa - sentindo toda minha vida em evidência, sentindo tudo tão forte e tão explosivo dentro de mim, sentindo a necessidade louca e desesperada de respirar fundo e se acalmar em meio às inquietações psíquicas e emocionais que joguei no meu ventilador para levantar tudo, revirar, depois tentar organizar - páro, agora que passou, pra pensar se fui capaz de tudo o que me propus, verificar o que resolvi, o que modifiquei, onde fui ótima e onde não fui, analisar o resultado do meu trabalho interno e o preço que paguei por tudo, saber se valeu a pena. O que ganhei e o que perdi. O saldo.
Ainda tem uma dorzinha aqui, é a menininha mimada mendigando afeto. Mas optei por seguir atrás da minha alma e tê-la de volta, como nos velhos tempos. E a menininha? Tá dando o maior pití porque a peguei pelas orelhas. É, ela não é fácil não, de jeito nenhum é simples domar a ferinha, porque agora ela não chora, esperneia, só que não me engana mais, pelo menos nessas manhas não. Sei que vou me ocupar de um grande trabalho a fazer a partir de agora, mas ela vai crescer, quer apostar?
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3:39 PM
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3:24 PM
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Sábado, Abril 12, 2008
Sabe qual é a sensação de estar indo embora? Quase parecida de quando eu estava largando a Eng. Química em Lorena pra ir pra Bh estudar Design. Eu pensava nos meus amigos alí, pessoas muito queridas, pensava na família e em tudo o que ia sentir falta por estar indo para uma cidade tão longe, tão longe que eu teria que construir uma vida lá, novos amigos, novo tudo, pra conseguir viver, pra ter em BH aquilo que eu estava indo buscar. Antes de ir, minha professora de Português (sim, eu tinha aula de português em E.Q.) me disse: "não estranhe se quando você voltar pra visitar, as coisas não forem mais as mesmas, se você não tiver mais o que conversar com seus colegas aqui, se você não sentir mais afinidade com nada aqui, porque você vai mudar muito". Eu tenho sim medo da mudança, no sentido de ter que deixar as coisas que amo para ter outras, sim sei que é a vida, que não temos o controle, mas acho que desta vez será diferente, as amizades são fortes, quando eu voltar, as coisas não serão mais as mesmas, mas o sentimento será. Amo todos os meus amigos, sei que sou imensamente amada, mas se a vida nos mostra caminhos que muitas vezes nos parecem distantes, é porque a gente ainda não viu nada. Bh parecia longe, agora vou girar o mundo de ponta cabeça e meus pés estarão tocando os pés de quem fica aqui. Marte é mais longe, e já tem venda de passagens de turismo pra la. Tô brincando, é somente uma comparação para ampliarmos aquilo que chamamos de "longe". Afinal, eu sinto uma distância enorme de meus amigos, mesmo estando no brasil, tanta que acho que no Japão não aumenta nem diminui. Lá terei o que estou indo buscar. Quando eu achar que devo, volto. Não ficarei pra sempre.
Amigos que ficam, já estou morrendo de saudade, cuidem de vocês, se dêem o que necessitam para serem felizes, mesmo que seja preciso se passar por loucos. Até! Até quando nos reencontrarmos novamente. Amigos que virão, por favor, que sejam pessoas de bem, seres humanos de boa vontade. Amém.
Um recadinho especial: Deinha do meu coração. O que está no coração num morre não! Beijos e abraços dos mais carinhosos pra você!
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1:34 PM
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Quinta-feira, Abril 10, 2008
"Não fez a louca? Não acordou pensando no que faria se não tivesse que pensar em ninguém, e não fez? Fez...agora banque isso. Que essa menininha mimada e dependente que tem aí dentro chorosa de atenção porque tem suas inseguranças...que essa menininha aí cresça logo e pare de ser a boba! Vem, agora não dá pra dar birra não, vamos bancar a louca, é ela que vai nos dar o que precisamos!"
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11:49 AM
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Quarta-feira, Abril 02, 2008
chega uma hora que o sofrimento perde tudo, voce fica só com a dor, sem ganhos, sem retorno, sem expectador, puro despropósito imbecil chorar pelas noites por alguém, o vazio vai substituindo o sofrer com cansaço, esvai-se, acaba, finda, enfim, vai-se.
cansei. que se vá. que se foda.
a maria do bairro é brega, é kitsch, é falsa, não há mais tempo nos dias de hoje para construir castelos de ilusões. não há mais tempo para voltar atrás. o outro já vive sem ti, viva sem ele. viva sem passado. quem tem o presente não chora.
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2:07 PM
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Segunda-feira, Março 17, 2008
Dolorosa é a perda do objeto. Menos energia investida, menos sofrimento. Energia desligada é um momento apreensivo e agora benvindo. Almejo somente o que está lá do outro lado, onde em breve estarei. Um enorme painel em branco, energias desligadas, tudo em latência. PONTO não, reticências não, parênteses aberto (
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5:39 PM
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Sábado, Março 15, 2008
Festival de Cinema do Rio 2007 - já que o filme não é bom a gente incena um curta...
Acaba o filme argentino, ruim. Saio da sala, muita gente saindo de outras também. Acompanho com os olhos a saída de uma moça que fica parada na porta do cinema olhando para a chuva e talvez pensando como fazer para chegar até seu carro. Eu fui andando apressada para pegar as escadas da estação de metrô. Na plataforma eu a vejo vindo. Observo seu andar descontraído, em minha direção, ela me passa e pára, do meu lado. Que vontade de dizer "que bom que vamos juntas no mesmo vagão". O delírio.
Ela não notou que eu a observei este tempo todo. Sentou em um banco longe. E logo se levantou. Já vai descer. Eu nunca mais vou vê-la, quero ir lá dizer alguma coisa, ao menos para não acabar sem graça tudo isso. Me levanto, e vou até ela. Ela está de costas, de frente para porta que está prestes a abrir. Pego seu braço "me dá seu telefone". Ela morre de susto, afinal poderia ser um assalto. Tentei explicar que queria o número do telefone e não o aparelho. Ela pára, me olha, parecia observar como eu estava vestida e franze a testa. Como quem se questiona - quem é esta pessoa e porque ela me aborda deste jeito? - então ela me pergunta tensa "Pra quê?!?". Da minha resposta dependia o desfecho que poderia ser desastroso, tomar um tapa, escutar um palavrão, ver uma cara de nojo, poderia ser até pior. Ponho a expressão mais pura que encontro dentro de mim e deixo acontecer "te achei tão bonita". Ela sorri aos poucos, e longo. Respira fundo como se estivesse aliviada. "Oxe, mas é que eu num tô ´acusxtumada´ a dar meu télefone assim pra ninguém". Com a mão no meu ombro (ainda sorrindo) me pergunta "tudo bem?" Que delicadeza, penso. Ponho a mão no seu ombro e digo que sim, que estava tudo bem. Ela sai, acessou um tchauzinho (ainda sorrindo). Gente, como não ficar idiota por causa daquela menina? Que sorria do jeito mais fofo do mundo. A porta fechou. O mundo voltou ao normal, as pessoas estavam olhando torto e eu corri pro extremo oposto do trem para me sentar sozinha, com leve vergonha. Por um momento eu achei que ela ia dizer que está acostumada a dar o telefone assim para mulheres. Foi o fora mais fofo do mundo. Fiquei flutuando. Ela era baiana, que impressionante, ainda bem que não era carioca, talvez não seria tão delicado. As cariocas são bravas, não tem papas na língua, mas que bom que foi no Rio, a cidade me deixa em estado fóra de normalidade. Ela disse - "...assim desse jeito, pra ninguém." - assim como? Assim seria - à noite no Rio de Janeiro, mais de 23h, ser abordada por uma pessoa desconhecida, do mesmo sexo, de sotaque paulista e roupa mineira (eu vestia calça de veludo e casaco de botões) que agarra seu braço e pede seu telefone com afobação no momento de saída do metrô? Qual é o grau de estranheza disso?
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10:42 AM
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Aceito os NÃOS como resposta. Muito mais digno desejar ouvir NÃOS a ter que se enrolada por gente que não aprendeu a dizer esta palavrinha. As pessoas se negam a dizer NÃO, preferem se negar a lidar com uma partícula afirmadora de negação em suas vidas. Eu também não digo NÃO, principalmente quando as crianças podem me remendar em entonação irritante e padronizada: "porque Não não é respooooosta...la la laaaa". Pois, é SIM! Por que não seria? Por que motivo os NÃOS são considerados demonstração de rigidez? Por que ser leve é só dizer sim? Ser leve é fazer tudo que se quer sem pensar, ir se enfiando em qualquer coisa, muito à despeito de ser livre, confundindo liberdade com libertinagem, se fazendo mal em nome da emoção, evitando a todo custo a tal temida razão que nos obriga a ser sinceros conosco mesmo? Dizer sim a tudo que existe, sem critérios, pelo pretexto de saber viver a vida com intensidade e experimentar tudo que aparece dizendo-se aberto às novidades é uma atitude muito questionável. Auto-destruição é dizer não a si mesmo.
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9:49 AM
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